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25/08/2018

a L. A.

INSTÂNCIAS INCOMPLETAS


Inicialmente, como seu mensageiro,
levei e encaminhei referências, sinais
de Régio, de Sena, de Simões…
– Breve lhe conheci a própria alma
dos poemas, das páginas de vida
diárias, ofertadas em divinal e
íntima confissão de poeta.

Hermes volátil, mas vero vizinho,
convidado sou das suas horas
inspiradoras, ilustradas, generosas…
– Ó querido amigo, como é
desmedida a minha dívida para contigo:
preciosas são as lembranças avulsas
inscritas nos teus textos e ensinamentos!

Em cada referência falada, em tal inibido gesto
seriamente antegozo as ínfimas sugestões
literárias, de memórias, desejos, vidas, luz…
– Quão enigmático é o percurso humano
ao registar acasos no livro do Destino:
não há fim nem sequer princípio,
os nossos instantes são eternas repetições.

JC

20-II-2014



No restaurante Cavalo Bravo, em Massamá, 2015.


01/05/2016

E TERNAS SÃO AS MÃES












"Nossa Senhora e o menino Jesus Cristo"
por Cláudia Leite






Mãe, vela por mim,
guia o filho que viste
gerado e criado.

Não quero um poema triste
nem um dia assim
– vão e frustrado.

Que seja uma jornada materna
coberta do teu sorriso jovial,
e com bálsamo de açucena.

Mãe, que a nossa poesia
seja roupa branca no estendal
ao sol, ao vento – sem mal!

E assim nasça o sol cada dia
dentro de nós, sempre,
como te trago em mim, eternamente.


JCCanoa



24/04/2016

LER a sabedoria dos avós, poema infanto-juvenil

Avós, imagem (pormenor) 
de Grandparents.com, no Facebook


LER

Fui à biblioteca
requisitar
dois livros
e trouxe
um casal ancião.

Estavam sentados
bem estimados
e conservados
e aguardavam
o meu interesse.

Guardavam em si
toda a sabedoria
de uma vida
mais a experiência
de várias gerações.

E estavam ali
à mão de colher:
apenas aguardavam
que eu, interessado,
os começasse a ler.



José Carlos Canoa

© Os 31 poemas do mês do Martim e da Inês (inédito)

09/02/2016

CARNAVAL

Ilustração de Tomás Leal da Câmara (1876-1948)
Capa da Ilustração Portuguesa, n.º 781 (5.02.1921).



Quando fevereiro chega
há festa – o Entrudo!

Hoje fantasio-me de Pirata,
Corsário dos sete mares...
Depois serei Palhaço,
de circo ou doutros lugares...
Múltiplas personagens
que guardo dentro
de mim, sortudo,
assim, como me sinto...

Pintado ou mascarado
a minha alegria
é transparente:
celebrarei  a época
dançando, brincando
e rindo
em grande folia...

Quando fevereiro chega
festejo o Carnaval!



30/12/2015

VOTOS


Massamá, 1.º de janeiro

Meu caro Leitor,

Desejo-te
um maravilhoso novo ano:
harmonioso
meritório
amado.

Que os teus dias sejam tranquilos!
Que estejas de boa saúde!
Que o trabalho te proporcione abundância!
Que os teus sonhos se concretizem!

E a tua vida seja ainda abençoada
de Amor, Poesia e Beleza!

É em ti que ele nasce novo
Renovado, com esperança.

Cordialmente

JCCanoa

03/12/2015

ELOGIO DO AMOR


É de beijos e conversas e também de projetos,
Num juvenil e sedento recapitular animado,
Que se rubrica a nossa Fortaleza do Amor:
Contra pudicos moralismos, inibições atuais;
Sem abismos maléficos, ciúmes reais...
Como são benignos os nossos reencontros!
Que benfazejas as nossas rendições noturnas!
Vassalo ou soberano, sinónimos são na união.

JC Canoa

21/05/2015

RETRATO DE UMA SENHORA

Retrato de uma Senhora
por Alexander Roslin (1718-1793) 


Preso apenas por um cabelo
fino e forte de bruxa estou...
*
Que calabouços ou celas
que vendas ou mordaças
me atam até ao desespero?
*
De meu palácio de cristal
me levaram um dia,
numa manhã submersa,
— E disse adeus à minha puerícia.
*
Os meus dias teço de rugas;
de mágoas e aflições me visto,
e penteio-me ao espelho
sem rosto, sem futuro...
*
Nem um príncipe destemido
nem outro qualquer herói
me virão salvar.
*
Morreste-me amiga
e mãe e senhora,
e eu não te soube libertar.
*
E eles sujam tudo
E eles sujam tudo
E as nossas manhãs
São transparentes.
*
José Carlos Canoa
19.05.2016

15/09/2014

UMA BARQUINHA SEGURA - poema - de JC Canoa

Navegar - aguarela - por Margaret Ellis

O SEGURO E A POUPANÇA

Poema de JC Canoa, 1984 [17 anos]


à Professora e Orientadora Ana Maria Moniz Ribeiro

I


Barca, barquinha
foi construída toda ela
em madeira economizada.
Muito branquinha,
tem uma vela
de risca encarnada.

Gastando com moderação,
o barqueiro poupado
aumentou a sua embarcação,
substituiu o mastro debilitado.
Pois que ao poupar juntou
As sementes que depois semeou.

II


Barca, barcarola
fendendo ondas de tempo,
de velas enfunadas ao vento,
de bandeirola…
Ondeando em água tumultuosa e escura
Vai vagueando solta e não segura…

Navegando em águas profundas,
numa profunda imensidão;
arando as ondas vagabundas
entre rochosa extensão,
a barca corre o risco de naufragar…
vai, pois, o barqueiro ter que a segurar.

III


Barca barqueta
no seguro posta está,
abrigada dos perigos que há.
Não dos da Nau Catrineta,
mas dos imprevistos do futuro.
— O seu barqueiro vai pelo seguro.

Barqueiro tão poupado
é homem afortunado.
Sua barca estando no seguro
descobre acautelada o futuro.
Pois que o Seguro e a Poupança
são o ideal para uma vida em segurança.

IV


Barca, barquinha,
toda branquinha,
veleja ao vento
ondeando com alento.
Seu barqueiro feliz
a todos adeus diz!



_______
Menção honrosa no Concurso O Seguro e a Poupança, integrado na comemoração do Dia Mundial da Poupança de 1984, organizado pela Companhia de Seguros IMPÉRIO.

14/09/2014

ERA UMA VEZ UM PULGÃO - um poema visual para ti


ERA UMA VEZ UM PULGÃO



Era uma vez um pulgão
chamado Saltitão
pois passava o tempo
a saltitar:
d’aqui... p’ra ali
d’ali... p’ra aqui
bem alto
no ar.

E, em cada salto,
o pulgão
Saltitão
fazia torção
e cambalhota.
Muito brincalhão,
sempre na risota,
quase nunca parando no chão.

Certo dia, o pulgão
Saltitão
deu um salto tão alto
que deixou de ver o chão...
E subiu, subiu
sempre no ar
até quase tocar
com a mão no céu...

Então lá desceu, assustado
o pobre coitado.
E foi tão grande
o trambolhão
que levou um tempão
para acalmar o coração
muito apressado
do pulgão Saltitão.


José Carlos Canoa
, 20.09.1996
Poema visual datiloscrito, agora com o texto arrumado convencionalmente e revisto.

13/09/2014

CHAMA-SE SONHO A ESTAÇÃO - poema visual

CHAMA-SE SONHO A ESTAÇÃO

Poema de JC Canoa, datiloscrito, 1985 [18 anos]



Chama-se SONHO a nossa estação de saída...
O comboio risonho somos nós, pois então!
Embarquemos e partamos em viagem,
Ó aventurosa e alegre miudagem!
Pouca terra! Pouca terra! Uh! Uh!...


A pouco e pouco, a pouco e pouco
Ganha velocidade na sua marcha...
Um longo silvo se solta e arrasta
Na sua rodagem metálica de louco:
Uh!... Uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuh!


Rodando em tão rápido movimento
Já avançou em velocidade e encantamento:
Devorando vales, montanhas, penedos
Pinhais, vinhais, trigais e arvoredos...
Parece até dizer: — Pouca terra!


No comboio livre e aventureiro
Às janelas abertas vai debruçada,
Toda curiosa, a criançada.
Tantas caras alegres a viajar
querendo tudo admirar!...


E avistaram um fresco arco-íris de sabores,
Flores bailando em tutus multicolores
E bicharada, terrestre e aérea, muito engraçada...
Um pôr-do-sol, todo ouro fundido,
No leito do rio mirando o rosto refletido.

Avistaram casas construídas em chocolate,
Árvores que eram enormes chupa-chupas
E mesmo colossais castelos erguidos no ar
Ou um príncipe sensível preso numa torre
Que um príncipe valente foi salvar.


Pouca terra! Pouca terra! Uh! Uh!...
Passam histórias, passam horizontes...
Mas o apetite está a embarcar...
E a locomotiva devorando montes
Está a dizer: — Tenho fome! Tenho fome!


Já se avista, ao fim do percurso, o destino...
A pouco e pouco, custosamente, devagar
O comboio abranda a sua cadência...
O freio, manobrado, acaba por o parar.
E os passageiros apeiam-se, felizes e com tino.



José Carlos Canoa, 20.12.1985
Poema visual, com o texto arrumado convencionalmente e revisto.