ARTE CAPITAL

Escrevo para conhecer-me, para ver mais nítido
este meu rosto civil, o meu corpo vivido
sem mutilações, sem vendas, sem mordaças!
Talvez a minha voz venha a soar legítima
e real, idêntica ao grito revelador do ossobó
ou às novas inscrições seminais dos graffiti…
É urgente reengendrar uma outra linguagem
que não seja a arcaica e exclusiva da tribo:
outros signos, outros gestos, outras articulações.
Então, a sombria e sinuosa caminhada minoritária
do amor será menos desviada, menos oculta
e enfim poderei configurar-me uno, essencialmente.
JC Canoa